• Posted by : Lízi 17 de jan de 2015


    Sobre a humilde pessoa que escreveu o texto: Eu, a dona do blog, estudante de técnico em biblioteconomia da Escola Técnica Cristo Redentor.

    Hoje em dia a gurizada acredita que existe um abismo entre mangás e animes, que são coisas diferentes e que um poderia existir tranquilamente sem o outro, mas não se enganem! Se tu hoje senta na frente da TV e assiste animes ou vai na banca e compra um mangá, saiba que isso só é possível graças a Osamu Tezuka.

    Nascido em Osaka de uma família simples, Tezuka teve uma infância deveras comum, onde sempre gostou muito das tirinhas cômicas dos jornais e dos desenhos animados de Walt Disney, até que aos 13 anos ele era vigiado pelos professores, por gostar desenhar quadrinhos, fazer parte dos clubes de geografia, história e artes. Defendido dessa repressão pelo professor de artes, Okajima Yoshiro, Tezuka Osamu se concentra em colecionar e desenhar quadrinhos, especialmente sobre insetos como “Um relatório sobre a batalha dos insetos” e “Histórias da vida dos insetos”. Ele também desenha um quadrinho com o título “A história do detetive Mamar”.

    Em março de 1943 ele desenha “O velho detetive” usando uma caneta e tinha pela primeira vez, com Higeoyaji como o personagem principal. Durante sua adolescência criou várias histórias sobre insetos e publicou grandes livros de ilustrações contendo quiz, mas seus quadrinhos não foram marcados pela beleza da juventude e sim, pela segunda guerra mundial.

    Por ter que viver durante a guerra e perder tantos amigos queridos, assistindo o sofrimento do seu país, Osamu Tezuka, em Julho de 1945 é aceito no departamento médico da universidade de Osaka e desenha um quadrinho intitulado “A ilha do tesouro do homem velho”, que mais tarde se tornaria o rascunho de “West Rush”.

    Seguindo seu destino como o Deus do mangá, Osamu tem sua estréia como mangaká aos 18 anos em 1946, com o título “O diário de Ma-chan”, que é primeiro serializado no jornal da escola infantil Mainichi e também cria seu primeiro best-seller: Shin Takarajima (A nova ilha do tesouro) - uma história em quadrinhos na forma de storyboard de desenho animado, misturando pela primeira vez elementos da linguagem cinematográfica aos quadrinhos, algo que se tornou a característica do mangá moderno.

    Além de desenhista, Osamu se juntou a uma companhia de teatro depois de um festival cultural da universidade de medicina, enquanto marca presença em encontros de mangakás de Kansai, onde é pedido por Sakai Shichima que desenhe mangá em forma de livro.
    A companhia apresenta sua primeira performance onde Osamu faz o papel de um idoso, e também desenha sua primeira versão de “Mundo perdido”.

    Alguns anos depois, Osamu Tezuka começaria uma série de publicações muito importantes no cenário do mangá, obras que marcariam gerações: Jungle Taitei (Kimba, o Leão Branco) em 1950; Tetsuwan Atomu (Astro Boy) em 1952; Ribon No Kishi (A Princesa e o Cavaleiro) em 1953, definindo com personagens magros e olhos grandes e brilhantes o estilo hoje conhecido como shoujo mangá, Hi No Tori (O Fênix) em 1967 e Black Jack em 1973.

    Em 1961 ele recebe seu doutorado. E em 3 de abril do mesmo ano Astro Boy é adaptado para um drama na TV que passa na NHK. O programa é exibido até março de 1962. Ele também aparece no programa “O programa da manhã: Senhor artista de mangá”. Em 1963 Osamu realizou o sonho de ter uma série de animação na TV da sua obra ‘Astro Boy’, realizada pela sua própria produtora, a Mushi productions. Em 1964 ele se tornou o primeiro produtor de anime a exportar uma série para os Estados Unidos, a Astro Boy.

    E não se engane, que o Deus do mangá também esteve aqui no Brasil em 1984, dando uma palestra de inauguração para a ABRADEMI a pedido da fundação do Japão, sobre mangá. Tezuka foi de extrema importância também para o futuro do mangá e divulgação da cultura japonesa no Brasil, dando instruções que foram seguidas à risca pelos membros desta associação. Mesmo sendo uma figura de extrema importância no cenário, durante sua visita e palestra, enquanto observava o trabalho de amadores e profissionais, Tezuka nunca falou mal de nenhum deles, demonstrando uma maturidade e profissionalismo de alto nível. Ele também se apaixonou por um personagem típico do Brasil: O cangaceiro.

    Esse senhor de aparência simples, com uma vida marcada pela guerra, é o pioneiro do mangá e anime moderno. Antes de Tezuka, o mangá não tinha o mesmo propósito de entreternimento, não existiam gêneros como shoujo e nem traços diferenciados e fantasiosos e o anime praticamente não exisitia. Hoje em dia, compramos DVDs de animes, coleções de mangá completas e devemos sempre notar que Osamu Tezuka, está em cada pedacinho disso. Se o mangá está no Brasil até hoje, agradeça ao Deus do mangá e todos os amantes da cultura japonesa que trilharam um caminho difícil para que isso se realizasse.

      O Deus do mangá infelizmente, veio a falecer em fevereiro de 1989, por conta de um câncer no estomago. Mesmo rumando para seu fim, em uma cama de hospital, Osamu não parou de desenhar. Ele sempre teve péssimos hábitos alimentares e deu sua vida a desenhar e produzir animes.

    Sempre sinto um aperto no peito em ler ou falar sobre Osamu Tezuka, o homem que mudou completamente o rumo da cultura japonesa, o homem que criou tudo que nós, fãs de animes e mangás, amamos. Para os que querem ver sua vida e trabalho de perto e tem a sorte de poder ir até o Japão, dê uma passada lenta no museu de Osamu Tezuka. A obra dele ainda vive através deste museu e da produtora que seu filho dirige.


    Material usado para consulta: https://tezukaosamu.net/

    Conheça a ABRADEMI: http://www.abrademi.com/

    Compre obras de Osamu Tezuka: http://busca.saraiva.com.br/saraiva/Osamu-Tezuka

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