• Posted by : Lízi 19 de jan de 2015

    Sobre a autora: Lízias C. Cunha, estudante de biblioteconomia na ETCR, apaixonada por mangás e cultura oriental.


    Hoje vou lhes falar sobre os gêneros de mangá, além de dar uma passada na história dele no geral. Quero chamar atenção para a lista de gêneros, ela não inclui todos os sub-gêneros, então não se aborreça, por favor!

    Breve história do mangá

                Mangá é o nome usado para designar as histórias em quadrinhos em estilo japonês. Ao contrário das histórias em quadrinhos convencionais, sua leitura é feita de trás para frente. Teve origem por meio do Oricom Shohatsu (Teatro das Sombras), que na época feudal percorria diversos vilarejos contando lendas por meio de fantoches. Essas lendas acabaram sendo escritas em rolos de papel e ilustradas, dando origem às histórias em sequência, e consequentemente originando o mangá. Essas histórias passaram a ser publicadas por algumas editoras na década de 20, porém sua fama só veio por volta da década de 40.

                A produção de mangá foi interrompida durante a Segunda Guerra Mundial e retomada somente em 1945, tendo o Plano Marshall como seu propulsor, pois parte das verbas desse plano era destinada a livros japoneses. A prática de ler mangá aumentou consideravelmente nesse período, pois com a guerra poucas atrações culturais restaram. Foi nessa época que surgiu o que podemos chamar de “Walt Disney Japonês”, o Ossamu Tezuka, criador dos traços mais marcantes do mangá: Olhos grandes e expressivos.

    Existem diferentes traços de mangás, dos mais realistas aos mais floreados e os mais rústicos, tudo depende do público alvo e o gênero da obra.

    A leitura do mangá não é destinada apenas para a faixa etária infanto-juvenil, todo mundo lê mangá no Japão, é extremamente comum e saudável. A sociedade japonesa estimula muito a leitura e como todos leem, o mangá é um tipo de produto que faz a economia do Japão andar, mas apesar de não ter classificação por idade, existe a classificação por assunto e público-alvo, então literalmente, existem mangás para todos os gostos. Não podemos afirmar não gostar desse tipo de leitura, sem antes tentarmos conhecer todos os tipos existentes, como diz uma das leis de ranganathan: “A cada leitor o seu livro”.

    Em um resumo extremamente bruto, vou citar alguns dos gêneros de mangá, até agora existem mais de 43 gêneros (sem mencionar os sub-gêneros), mas citarei os principais.

    Gêneros de Mangá

    Kodomo: Direcionado a crianças na maioria com menos de 10 anos. Costumam vir acompanhados de lições sobre a sociedade. (Doraemon, Hello Kitty, Hantaro)

    Cavaleiros do Zodíaco Episódio G





    Shonen: Direcionado a adolescentes do sexo masculino na maioria das vezes. São histórias cheias de ação, mas também podem ser bem psicológicas, como Death Note. É um gênero geral, sempre acompanhado de outros gêneros. (Ex. popular: Cavaleiros do zodíaco).


    Ametora
    Shonen-ai (lit. amor de meninos): É um gênero de anime e mangá que retrata relações românticas entre homens, podendo ser leves e insinuadas ou apenas passionais e geralmente não há retratação do ato sexual. Ás vezes é só uma amizade muito forte entre dois homens. Esse tipo de amizade profunda entre garotos, também pode ser encontrado em obras para outras idades, inclusive crianças e não choca a audiência, a amizade forte entre dois homens é algo bem visto. A obra mais famosa se chama Gravitation, mas um exemplo conhecido no Brasil é Sakura Card Captors onde Touya e Yukio tem uma amizade profunda. Este gênero não tem relação com o gênero ‘boyslove’ que é um termo ofensivo fora do Japão e usado especificamente para pedofília. Este também não se assemelha ao gênero de mangás de homossexuais.






    Binan Kōkō Chikyū Bōei-bu Love! 





    Mahou-shounen: Jovens do sexo masculino com poderes mágicos (ex: Syaoran Li de Sakura Card Captors e Tuxedo Max de Sailor Moon).



    Full Moon wo sagashite



    Shoujo: É um termo usado para referir mangás para garotas, apesar de poder também interessar a qualquer gênero ou faixa etária. É o tipo de obra que no ocidente chamamos de comédia romântica ou apenas romances que normalmente envolvem personagens da mesma idade do público-alvo, mas mangás shoujo também são muito vistos acompanhados de temas como terror, contexto histórico e ficção científica. O primeiro mangá do mundo a ser considerado shoujo foi A princesa e o Cavaleiro, do mangaká Osuma Tezuka, que conta com muitas obras famosas de outros gêneros de mangá também como o Astro Boy, da década de 50. (ex: Sailor Moon)





    Ilustração bishoujo por Yamashita Shunya



    Bishoujo (menina bonita): É um termo usado para se referir a garotas jovens e bonitas, geralmente abaixo da idade universitária. Existem personagens bishoujo em quase todo gênero de mangá e mangás do gênero harém. Bishoujo se distingue do termo de sonoridade semelhante shoujo, pois se refere ao sexo e aos traços das personagens e não da audiência-alvo do programa/trabalho. Embora bishoujo não seja um gênero propriamente dito, mas sim um estilo de personagens, séries que contêm personagens predominantemente deste estilo, como as do chamado gênero harém, são por vezes informalmente chamadas de séries bishoujo.





    puella magi madoka magica





    Mahou Shoujo (menina mágica): É um subgênero de anime e mangá shoujo, onde as personagens femininas tem poderes mágicos. (Exemplos famosos: Sakura Card Captors, Sailor Moon, As guerreiras mágicas de rayearth e puella magica Madoka, que mistura Seinen com drama psicológico e mahou shoujo).










    20 century boyx


    Seinen (homem jovem): São mangás com público alvo centrado em homens entre 20 e 40 anos, mas é muito popular entre as mulheres também. Shonen também contém ação e diversos outros gêneros, mas seu tema, conteúdo, linguagem e abordagem além do traço, é que o diferem. No Japão existem revistas só para Seinen como existem para todos os outros gêneros, e são obras para um público maduro. Geralmente abordam temas que tenham relação com a idade do público alvo, como política e negócios ou uma ficção científica complexa que necessita de conhecimento universitário para o entendimento. A escrita usada também é de nível universitário. Outra característica do gênero é a liberdade das histórias, pois não existem restrições.





    NANA


    Josei: É a definição dada aos mangás geralmente voltados para um público feminino adulto. Assim como o Seinen pode ser visto como o amadurecimento do Shounen, o Josei seria o do Shoujo.
    São geralmente histórias da vida adulta com foco no cotidiano feminino, mostrados de forma mais realista, enquanto os mangás shoujo apresentam romances idealizados.  O traço é mais sóbrio, suas histórias são bem realistas, tornando o uso de ficção ou fantasia muito raro nesse gênero. Possui a mesma liberdade do Seinen, podem se por também cenas de sexo explícito que não serão consideradas pornografia. Ao contrário dos outros gêneros, Josei procura mais ter adaptações para jdramas, novelas e seriados de TV com atores reais, tendo muito poucos Josei adaptados para anime. (ex: Pet shop of Horrors, Honey and Clover, NANA, Paradise Kiss).




    Ashita no Joe
    Gekiga (ou figuras dramáticas): é o termo em japonês usado para definir um tipo mais adulto de mangá, voltado para públicos amadurecidos, por volta dos 18 aos 30 anos, sendo um estilo que pode retratar tanto temas reais quanto fictícios. O gekigapara foi criado para designar trabalhos mais adultos dentro dos quadrinhos nipônicos.
                  Logo após a 2ª Guerra Mundial, os japoneses enfrentavam a miséria pós-guerra, enquanto o país aos poucos iam começando a reconstrução. Veio então a necessidade de uma leitura de baixo custo, e por isso surgiram os "Kashihonya", que funcionavam como as bibliotecas-circulantes aqui no Ocidente, mas mais elaborados, trabalhando inclusive com doujinshis. Sem limitações que seriam obviamente impostas pelas editoras, os desenhistas apenas procuravam agradar seu público, que na maioria eram pessoas adultas, procurando desenhar de modo mais clássico, menos cartunístico, e desenvolvendo histórias cujos enredos dramáticos pareciam-se mais com os de filmes e novelas. Assim surgiram os gekiga modernos. (ex: ashita no joe, Akira, sanctuary, blade, a lâmina do imortal).

    Ghost in the Shell: Stand Alone Complex
    Graphic Novel: é uma espécie de livro, normalmente contando uma longa história através de arte sequencial (banda desenhada ou quadrinhos), e é frequentemente usado para definir as distinções subjetivas entre um livro e outros tipos de histórias em quadrinhos. O termo é geralmente usado para referir-se a qualquer forma de quadrinho ou mangá de longa duração, ou seja, é o análogo na arte sequencial a uma prosa ou romance. Pode ser aplicado a trabalhos que foram publicados anteriormente em quadrinhos periódicos, ou a trabalhos produzidos especificamente para publicação em formato livro. Uma graphic novel não precisa ser voltada para o público adulto; às vezes, é necessário apenas que tenha uma boa estrutura e um visível grau filosófico. (Ex: Ghost in the Shell por Masamune Shirô, Sin City, V for Vendetta).

    Love Junkies


    Hentai: O hentai é um gênero meio difícil de se abordar, pois ele não é uma pornografia de baixo nível sempre, dentro deste grande gênero, existem diversos sub-gêneros com histórias para absolutamente todos os gostos. As obras abordam livremente o sexo, de todas as formas. Outros nomes são: 18-kin (18- proibido), seijin manga (mangá para adultos) e também H-mangá. Uma das minhas obras favoritas do gênero e excelente exemplo de tal é Futari Ecchi (algo como, nós dois somos pervertidos), que trata sobre a vida de um casal que se casa virgem e precisa aprender sobre sexo. Contém informações reais, pesquisas e instrui aos virgens como se deve proceder nesse momento a dois com muita comédia. Existem inúmeros tipos de hentai, dos mais românticos aos mais dedicados a fetiches.






    Because of you






    Vanilla: História bem leve sem cenas de sexo explícito de uma relação de amor entre duas pessoas.















    Gravitation





    Yaoi: História que pode ou não conter cenas explicitas de sexo entre dois homens.













    Yaoi Lemon: Usado para descrever uma história onde haverão cenas gráficas de sexo entre dois homens

    Yaoi Lime: Usado para descrever uma história onde haverão cenas gráficas leves, como beijos e amassos.

    Sakura Trick






    Yuri: O equivalente feminino a Yaoi.















    Seinen Yuri (Yuri para homens): Tende a enfatizar garotas moe, delicadas, femininas, inocentes e puras. Geralmente apresenta uma visão muito romantizada de como é ser uma adolescente.

    Shoujo Yuri (Yuri para meninas): Costuma ser bem feminino e puro, mas também pode conter algum grau cross-dresssing e genderbender.

    Josei Yuri (Yuri para mulheres): É geralmente menos esteriotipado e bem mais realista, como a maioria das histórias direcionadas a adultos. É uma história que envolve lésbicas e sua cultura, assim como problemas sociais, mas é uma porção pequena de produção. Também é chamado de yuri for/by lesbians (yuri feito por/ para lésbicas).

    Kodomo no Jikan







    Lolicon: História onde meninas mais novas tem relações com homens mais velhos.











    Boku no Pico







    Shotacon: Histórias onde meninos mais novos tem relações com mulheres (ou homens) mais velhas(os).











    Monster Musume






    Kemomo: Obras que contenham personagens que tem partes de animais (orelhas de gato, rabo de gato) ou que são metade animal e metade humano (ou outra raça).

    Além dos gêneros mais básicos, existem também as classificações orientais similares as ocidentais (aventura, ação, comédia, etc). Listarei algumas.








    Gundan Wing






    Mecha: Obras que contenham robôs, geralmente gigantes. (Ex: Patlabor, Macross, Gundam).














    Akira






    Sci-fi: Obras que contenham ficção científica (Ex: Akira)













    3D Kanojo







    Slice of Life: A vida cotidiana de pessoas normais (Ex: Ikoku Meiro no Croisée)

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